Escrever é viver duas vezes um bom Momento.
Antonio C Almeida
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Não existiu Ditadura Militar
Um caso de semântica
 
     Para os afastados das minúcias das decisões sociais o Brasil viveu uma Ditadura Militar, mas se começar a ler entre as linhas poderá perceber que tudo foi uma decorrência de uma posição que o Brasil tinha a obrigação de tomar.
     Lembremos que o mundo caminhava em conflito entre vertentes de Regimes Políticos: Democracia (Exemplo: Brasil, EUA), Autoritarismo (Exemplo: Espanha entre 1936 e 1975), Totalitarismo ( Exemplo: Fascismo na Itália e Espanha, Nazismo na Alemanha e Estalinismo na União Soviética). Entre estas o que é importante para nós é qual o nosso papel. Na Democracia entende-se eleições livres, liberdade de imprensa, respeito aos direitos civis constitucionais, garantias para a oposição e liberdade de organização e expressão do pensamento político. No Autoritarismo entende-se suspensão das garantias individuais e das garantias políticas. No Totalitarismo entende-se regime político está concentrado em uma pessoa que representa a figura de um “Führer” (comandante supremo). Nos regimes políticos totalitários não há nenhuma instituição política que possa representar qualquer vestígio de democracia.
     Bom saber que o mundo estava em ebulição de regimes citando, por exemplo, a Revolução Russa de 1917, A Revolução comunista na China de 1949 e tantas outras. Algumas pessoas observam o mundo como se fosse a sua casa, outras como se fosse o seu bairro e as percepções vão aumentando chegando a município, estado, país e finalmente mundo. Outras pessoas enxergam como indivíduo interagindo com o mundo e é esta a razão correta.
     Partindo para o objetivo proposto chegamos ao Regime Militar, tal como os outros Regimes tem as suas nuanças. Durou de 1964 a 1985 e por um único motivo: O Brasil tinha que tomar uma posição. Lembremos que devido ao interesse dos EUA em expandir o Sistema Econômico Capitalismo – Não tem nada relacionado com Regime Político, levantava a bandeira da Democracia ( O conceito de Democracia se iniciou na cidade de Atenas com o filósofo Clístenes, ratificada por Abraham Lincoln na célebre frase: Governo do povo, pelo povo, para o povo), com clara instância em expandir o Capitalismo. Com várias frentes de guerra, tais como Revolução Sandinista, Vietnã, Laos, Camboja, Guerra das Coreias e muito mais pelo mundo.
   Neste contexto, Brasileiros animados com a Revolução Cubana, que apresentou a possibilidade de brecar a expansão vorás do Capitalismo Americano, se alinharam a vertente socialista, em referência o Vice-Presidente João Goulart que em 25 de agosto 1961 estava em visita à República Popular da China - Claramente impulsionada pelo Comunismo,  quando o Presidente Jânio Quadros renunciou ao cargo de Presidente - Prenunciando a assunção ao poder do Vice, neste ponto o Brasil tinha que estabelecer uma posição. De um lado seria a proteção da China, URSS para crescer no regime, por outro o alinhamento com EUA e potências Europeias, pois ambas tinham uma resposta para o não cumprimento de seus interesses: Guerra.
   Nesta época nem havia nascido, mas estas posições poderiam fazer grande diferença em como seria a minha vida. Entretanto seguindo por uma linha ou outra não fazia a mínima diferença para mim, teria que seguir no Regime e viver em suas exigências. O Brasil seguiu no rumo que não estimulava nenhum dos lados, assim como no Chile 1973 a março de 1990, como Argentina, 1976 a 1983, Uruguai 1973 a 1985, Paraguai 1954 a 1989, Bolívia 1964 a 1982... Todos em Regime Militar. Não foi uma atitude exclusiva Brasileira, mas uma ação orquestrada - sabemos por quem, em toda a América do Sul e que não por coincidência tiveram o seu início e término dentro de um mesmo ciclo. Ciclo este especificado pela construção do muro de Berlim, 13 de agosto de 1961 e o início de sua queda em 9 de novembro de 1989 dando um fim a chamada Guerra Fria.
    Então não teve Ditadura Militar, mas sim uma posição obrigada por potências em conflito ideológico, posição que tinha que ser tomada. Poderia ser o Socialismo, mas foi um elemento de transição para a Democracia: O Regime Militar, mas seria uma das. A vida é mais complexa que imaginamos e os articuladores mais sanguinários que nossa vã filosofia pode imaginar, no ponto que de um lado ou do outro teríamos muitos mortos e tivemos.
    Como falei antes, não poderia escolher algo que não era de minha escolha e não defendo um lado ou outro, além de me amargurar com tantas almas lançadas fora de seu tempo. Filhos, filhas, esposas, maridos enlutados. Mas se não fosse esses a morrer, em outro Regime, seriam outros, pois sempre há mortos. Não participei desta história, mas achei bom conhecer e falar meu ponto de vista e lembrando que se não fosse isso, seria aquilo.

 
Antonio C Almeida
Enviado por Antonio C Almeida em 25/02/2018
Alterado em 26/02/2018
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