ESTADO DE ALERTA
Chuvas, terremotos, vulcões, tráfico de drogas, empobrecimento, oportunistas em um mundo em convulsão.
As ondas de protestos têm se multiplicado em diversas cidades, com o povo reivindicando a não suspensão de direitos adquiridos, a valorização da cultura local e a aceitação das características de cada cidadão. Os vínculos antigos estão, aos poucos, desaparecendo. Aquele sentimento de estabilidade caminhando para a extinção. O ser humano buscando novas formas de gerar dinheiro para se sustentar. Precisando enfrentar outras formas de contrato de trabalho, de projetos, de geração de renda. Gritos pela cidade: “CHEGA DE POLÍTICA!".
"Mundo em convulsão."
Cinco horas da manhã. Raquel corre para o ponto de ônibus, ao longe percebe que seu transporte passava e ela esperaria ao menos uma hora até o próximo. Desanimada, se junta aos tantos que se espremiam no ponto de ônibus.
Um carro para. Dentro dele um rosto amigo se destaca. O ocupante a convida a entrar - Se tratava de Rogério, seu amigo de trabalho -. Dentro do carro se cumprimentam e Raquel lhe fala sobre a sua preocupação de chegar atrasada para o trabalho.
Ao chegar no trabalho Raquel fica pensando se fora uma boa ideia ter pego aquela carona. Pois, uma ação sempre gera uma reação. Nada segue sem segundas intenções.
As horas passam e sua angustia aumenta. Chegara perto da hora do almoço. Ela com o dinheiro contado para o dia, não desejava novidades. Todos se alimentavam em um pequeno restaurante que servia comida de boa aparência – Ou, quem sabe, a comida pode estar maquiada e ser o resto de um resto congelada. Só Deus na causa -. Rogério estaria lá no restaurante e pensaria em insinuar algo em razão da carona. Talvez sugerir algo e ela não desejava arriscar novas experiências no sentido emocional.
O tempo parecia seguir devagar e a angustia rompia com seus elos com a racionalidade. Uma amiga se aproxima de sua área de desenvolvimento, fala de um encontro numa cafeteria depois do trabalho. Ela pensa - é uma armadilha, afinal, tramam sempre alguma coisa e não será diferente. É assim que se inicia algo, que está fora do controle de quem deseja sempre saber o próximo passo -. Gentilmente ela fala que faria o máximo para estar neste compromisso – Mas não estaria.
Perto do fim do expediente. Conversas paralelas parecem janelas. Que se abrem para diversos cantos do enigmático sentido das situações. O incógnito vazio nas faces traz ares de maldades ocultas. Planejamentos sempre com incontáveis segundas intenções.
Fim do expediente, seus amigos de trabalho partem para distrações de fim do dia. Discretamente ela seguindo, escondida, para o refúgio de seu lar. Com telefone celular desligado. Se junta a aglomeração do ponto de ônibus.
Subiu no ônibus, escorou-se num canto até chegar em seu ponto de descida. Caminhou pela rua rapidamente. Definitivamente aturdida. Chegando então frente à porta de sua quitinete. Entra e uma sensação de segurança, alívio toma-lhe o corpo.
Ligou o celular, pediu uma refeição para sua janta e percebeu várias mensagens. Uma a chamou a atenção. Era Rogério que a convidava para um jantar.
Sua mente entrou em convulsão. Foi ao banheiro se banhar para se preparar para mais uma noite de sono e pensava:
“- Não deveria ter aceitado a carona!
- Não deveria ter puxado assunto.
- Será ele um violentador?
- Será ele um ativista político? “
O interfone começa a tocar – Naquele volume de questões ela imagina todo o tipo de situação que isto poderia gerar. Mas era a sua encomenda, que nem se lembrava mais ter pedido. Isto a tranquilizou. Recebeu a refeição.
Vestida com seu pijama sentou-se no sofá, colocou sua refeição em uma bandeja sobre seu colo, ligou a TV e escolheu um filme para ver enquanto se alimentava. O mundo ficou tranquilo em sua volta. Mas ...
Toca o interfone novamente.
ESTADO DE ALERTA